Dia da Consciência Negra em formato Samba-Enredo

Feriado em boa parte do País, o dia 20 de novembro é lembrado pela morte de Zumbi dos Palmares. O ícone negro da luta pela liberdade dos escravos no Brasil Colonial, assim como a luta de um povo, sempre marca presença nos Carnavais de eixo Rio-São Paulo

Foto Capa: Lailson Leoncio (Comissão de frente Barroca Zona Sul 2019)

Em 2011 foi instituído o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, e todo dia 20 de novembro, a maioria do País decreta feriado em seus municípios para lembrar a morte de Zumbi dos Palmares. O mês de novembro é tomado por manifestações artísticas, políticas e sociais para conscientizar e amenizar a negligência das políticas públicas para o povo negro e pardo do Brasil. Porém, a nossa maior festa popular, o Carnaval, sempre foi porta-voz da enorme contribuição dos povos africanos para a formação da sociedade.

O protagonismo do povo negro e a luta por igualdade social no Brasil sempre foi objeto de inspiração de Carnavalescos e compositores de Samba-Enredo. Envolvidos diretamente na parte criativa no desenvolvimento e na execução de belíssimas obras de arte, seja na Sapucaí como no Anhembi, eles juntamente com as comunidades das agremiações fazem do Carnaval um palco de resistência e celebração de ícones culturais e temas polêmicos sobre o triste trecho da nossa história de escravidão e os efeitos presentes no racismo estrutural que nos assombra até hoje.

Segundo o IBGE, através de estudos sobre Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil, entre 2016 e 2018, a proporção de estudantes entre 18 e 24 anos de idade que cursam o Ensino Superior é de 55,6% e a maioria das instituições públicas do País é composta de 50,3% de negros e pardos. Porém, as desigualdades sociais por cor ou raça ainda estão longe de ser sanadas. Ainda segundo o IBGE, a taxa de homicídios chega a 98,5% entre pessoas negras ou pardas entre 15 e 19 anos. Lutando intensivamente no campo político, a igualdade de cor ou raça na representação no meio é baixa, apenas 24,4% dos deputados federais, 28,9% dos deputados estaduais e 42,1% dos vereadores eleitos são negros ou pardos.

Temas como relações raciais, as múltiplas formas de desigualdades e o debate sobre racismo e inclusão social ocupam lugar de destaque nas Escolas de Samba. Com beleza e lirismo, o tom político e de indignação são aspectos que produziram importantes Sambas-Enredo no decorrer da história. O site Sintonia de Bambas traz alguns deles, confira!

Em 01 de Março de 1960 sob o comando de Fernando Pamplona, a Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro trouxe pra Sapucaí o samba, de Noel Rosa de Oliveira e Anescarzinho. Com chuva, poesia e cadência, a Agremiação lançou o negro como protagonista de sua própria história com o inédito Enredo “Quilombo dos Palmares”, e após muita confusão, dividiu seu título com outras quatro Escolas cariocas: Portela, Mangueira, Império Serrano e Unidos da Capela.
No Carnaval de 1982, a tradicional Nenê de Vila Matilde arrebatou o vice-campeonato do Carnaval Paulistano com o Enredo “Palmares, Raízes da Liberdade”, com composição de Armando da Mangueira e Jangada. Em seus tempos áureos, a Agremiação da Zona Leste realizou um dos seus melhores desfiles e enalteceu a raiz africana tão presente na sua fundação.
Ainda em 1982, o Camisa Verde Branco nos premiou com um belíssimo Samba-Enredo que não foi cantado pelo Interprete Ataíde, e sim, por Zé Maria. A tumultuada troca, em tempos de repressão e ditadura foi relatada pelo próprio Zé Maria na Coluna Ilustríssima da Folha de São Paulo, em 29/01/2007. E, em plena Avenida Tiradentes garantiu o terceiro lugar com o Enredo “Negros Maravilhosos (Mutuo Mundo Kitoko)”.
Mesmo sem Quadra e poucos recursos financeiros, a Unidos de Vila Isabel conquistou seu primeiro título no Carnaval Carioca com o Enredo “Kizomba, Festa da Raça”, em 1988. No comando do grande Martinho da Vila, as alas da Escola enalteceram a luta pela liberdade, igualdade e harmonia entre as raças, com destaque ficou para o carro “Quilombo da Democracia Racial”, onde mostrou que somos uma grande nação composta de brancos, índios, caboclos e mestiços.

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