História e Cultura: Terceiro Milênio celebra o artista amazonense

Contando a história e os costumes típicos da região de Parintins(MA), a Escola de Samba Terceiro Milênio, criará um desfile rico em referências e homenagens ao povo que utiliza suas habilidades para encantar e resistir ao desmonte cultural e artístico do folclore brasileiro.

Por: Josy Dinorah

Enaltecendo a importância dos artistas regionais que criam, recriam e mantém viva todas as vertentes culturais relacionadas ao conhecimento, à arte, às crenças, aos costumes e hábitos da região de Parintins, a Escola Terceiro Milênio em 2020, promete tirar do anonimato os artistas que valorizam suas raízes, tradições e identidade cultural. Com o enredo “No Coração da Floresta Nascem Estrelas que Brilham no meu Carnaval” a Escola promoverá uma “viagem” com bagagem artística e densa de homenagens ao povo de fortes.

O Carnavalesco Murilo Lobo conversou com o site Sintonia de Bambas sobre os preparativos da Escola para homenagear estes profissionais que produzem a Cultura amazonense. Artistas que ganharam fama por suas maravilhosas criações no festival de Parintins, e que hoje embelezam um dos maiores espetáculos da Terra: o Carnaval. Confira:

É muito importante trazer para o eixo Rio-SP outras demonstrações folclóricas e culturais do Brasil. A Festa de Parintins, para aqueles que não são do Carnaval, acaba sendo somente um embate entre dois grupos. Como a Milênio pretende quebrar esta premissa ao grande público?

Murilo – Nosso enredo não é especificamente sobre a Festa de Parintins. Ele é uma homenagem aos artistas da ilha. Faremos uma viagem no tempo para conhecer melhor a história de como se formou este povo. Queremos homenagear do mais simples forrador, ou aderecista até o mais famoso escultor ou pintor de arte, e para isto, mostraremos o que há em comum dentro de todos eles: sua cultura e a paixão por sua história e sua raiz. Navegando pelo rio Amazonas, atravessaremos o portal da encantaria para fazer uma viagem no tempo e ver como tudo começou. Veremos que a mistura de raças gerou um povo de fortes. Mostraremos que o índio foi o primeiro a ouvir a voz da natureza clamando pela preservação. Destacaremos o magnetismo da floresta, as lendas e a figura do grande pajé, o Sr. dos Rituais. Mostraremos a figura do caboclo amazônico, fruto da mistura de raças e que apesar desta mistura, a culinária não perdeu sua raiz indígena. Mostraremos a fé e devoção deste povo à Nossa Senhora do Carmo. Destacaremos a grande revolução das artes que aconteceu na ilha com a chegada do irmão Miguel de Pascale, o missionário das artes, que fundou a primeira escola de arte na ilha e formou milhares de artistas.
Por fim destacaremos a origem maranhense do Boi Bumbá, e mostraremos a grandiosidade do Festival Folclórico de Parintins, que desperta paixões, mas que vai muito mais além, porque é um espetáculo que cultua a história, que se propõe a ser um veículo de resistência, de reflexão e de valorização da cultura amazônica.

A origem da Festa é algo que ocorre num êxodo do nordeste para o norte do País. Isto movido pela extração da borracha. Houve muitos embates e acontecimentos históricos importantes neste período. Você acredita que, de certa forma, eles influenciaram o Boi-bumbá, o reino livre do Garantido e do Caprichoso e como tratar isso na Avenida?

Murilo – Não vamos abordar esta questão de maneira especifica, mas, quando falamos da formação de um povo de fortes, sabemos que estes fortes se construíram nos embates contra os exploradores. Não aqueles do passado, da formação do País, mas os que existem até hoje. O próprio Festival trabalha muito estas questões quando apresenta suas lendas na eterna luta do bem contra o mal.

Os ‘Trabalhadores de Galpão’ como são conhecidos trazem uma imensa capacidade artística. Eles acabam contratados pelas Escolas de Samba do Rio e SP. Seria um efeito de falta de mão-de-obra qualificada nestes Centros ou apenas uma peculiaridade na preparação do Carnaval?

Murilo – Não se trata de uma peculiaridade. Faz tempo que a Cultura e a Educação Artística tem sido deixadas de lado. Temos um exemplo real em Parintins de uma grande revolução na vida de um povo, gerada a partir da arte. A arte mudou a vida de um povo, deu a eles gratuitamente instrumentos para se expressar e para alçar vôos maiores. Isto não aconteceu em nenhuma outra cidade do País. Somado a isso, a criação de um Festival que foi, e ainda é, espaço e oportunidade de aprendizado e experimentação pro currículo de cada artista, os credenciando para atuar em outras partes e festas do País.

A Milênio fez um concurso em Parintins com os moradores da cidade, e existia a possibilidade de trazer alguns destes artistas e trabalhadores para desenvolver os trabalhos dentro da Escola. Isto ocorrendo, como seria feito este intercâmbio?

Murilo – Fizemos um concurso para a criação da logo do Enredo, através dos coletivos de arte de Parintins. Desta forma seu talento, sua arte já começaria a ser estampada em nosso Carnaval desde o começo. Nossa mão de obra contará com 80% de Parintins: são ferreiros, escultores, pintores de arte, aderecista, costureiras e forradores, que trabalharão em nossas alegorias e na execução das fantasias. Muitos artistas parintinenses, gratos pela homenagem que faremos, se ofereceram para de alguma forma contribuir com o trabalho. Fecharemos nosso desfile com a presença dos artistas da ilha, e assim , eles possam receber do público os aplausos que merecem.

A famosa Indústria Cultural torna Festas Populares em Produtos Comercializáveis . Não tem como fugir do efeito do tempo, da tecnologia, dos sistemas políticos e financeiros. Como a Milênio encara essa transformação e qual Parintins veremos na Avenida?

Murilo – Penso que trazer tecnologia, modernização não necessariamente destrói tradições. Precisamos nos comunicar com o público do hoje e do amanhã e para isso novas linguagens se fazem necessárias. No Carnaval vocês verão uma Parintins carnavalizada, vista pelas lentes de um homem do sudeste,  que admira e respeita demais essa gente e tudo o que eles construíram.

Valorizar as produções culturais e artísticas regionais, é muito importante. Incentivar estes artistas é uma maneira de fomentar uma população à entender, conviver em sociedade e saber lidar com as diferenças e se expressar. O Festival de Parintins, por exemplo, que acontece em 2019 entre os dias 28 e 30 de junho, tem a teatralidade como grande espetáculo da rivalidade entre o Boi Caprichoso e o Boi Garantindo que anima e engradece a cultura popular da região amazonense e as cores azul e vermelho se convergem em uma emocionante e rica história do folclore brasileiro que encantam e traz o público de todos os lugares do mundo à Parintins (AM) promovendo o crescimento econômico da região, e assim, como o nosso Carnaval celebra com alegria a tradição do nosso povo.

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