Se é samba que o povo quer? É samba que o povo teve!

No encontro das baterias das escolas de samba: Nenê de Vila Matilde, Vai Vai, Unidos do Peruche, Leandro de Itaquera e Camisa Verde e Branco. O evento que reuniu centenas de sambistas vindos de várias comunidades na quadra da escola de samba Nenê de Vila Matilde, foi uma apoteose “especial” dos tradicionais redutos de samba de São Paulo que hoje estão nas fileiras dos grupos de acesso do Carnaval Paulistano.

O encontro produzido e organizado pelos harmonias Wagninho e Cristiano (da Nenê de Vila Matilde) proporcionou mais de 12 horas de samba e batucada de boa qualidade ao publico que lotou a quadra da Vila até a manhã de domingo 24 de novembro. “Em plena semana da Consciência Negra um evento como esse é de arrepiar e um prêmio para nós sambistas de todas raças e religiosidade diferentes”, diz o Luizinho da Camisa Verde.

As batucadas de bambas e os sambas enredos antigos das escolas levaram o publico a uma grande viagem no tempo dos desfiles da avenida São João, Vale do Anhagabaú e avenida Tiradentes. “Época em que os desfiles das escolas eram para o Carnaval das comunidades e periferias. Uma virtude que hoje não tem mais, pois os desfiles no Sambódromo são para avaliação dos jurados e publico turista. Além das diferenças na empolgação e evolução das escolas durante a apresentação. Isso sem falar na má qualidade dos sambas enredos que surgem em muitas escolas como vencedor nas disputas, mas na hora do desfile não empolgam os componentes e muito menos o público nas arquibancadas”, ressalta Ronaldo Junqueira componente da Velha Guarda da Nenê de Vila Matilde.

Fotos Nelson Gariba/Sintonia de Bambas

A bateria da Nenê, a anfitriã da festa, comandada pelo mestre Mateus recepcionou as coirmãs Vai Vai do mestre Tadeu, Unidos do Peruche -mestre Cal, Camisa Verde e Branco – mestre Marcão e Leandro de Itaquera – mestre Pelé. Todas elas com batuqueiros da nova geração e velha guarda das escolas. Como seguem as tradições de suas raízes, a criatividade e versatilidades das batidas continuam sendo mantidas como fundamentais no contexto histórico de cada uma dessas escolas.

Uma outra particularidade que observamos nesses encontros, é a energia, dedicação e experiencia dos velhos batuqueiros para manter a rivalidade. Como por exemplo na Nenê de Vila Matilde, os ritmistas da antiga que hoje formam o bloco “Batucada de Nego Veio Velha Guarda de Bamba” fazem de cada apresentação um grande show de talento e habilidade para tocar os instrumentos de percussão.  Comandados pelo mestre Claudemir, que por muitos anos foi o mestre de bateria da azul e branco, lidera time de batuqueiros da antiga como Serjão, Canhoto, Mussum, Dado, Galo e muitos outros bambas dos velhos tempos da Vila.       

Valdir Sena – Jornalista, Radialista e Cronista de Carnaval

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