Foto Capa: Dayse Pacífico
A Dom Bosco foi a sétima escola a cruzar o Sambódromo do Anhembi na madrugada desta segunda-feira (16), apresentando um desfile marcado pela espiritualidade e ancestralidade. A coreografia de Luana Poletti abriu o cortejo com emoção, narrando a aparição da santa negra das águas e o milagre do escravo Zacarias.
Com a assinatura do carnavalesco Fábio Gouveia, o desfile combinou alegorias e fantasias com acabamento caprichado e paleta de cores que exaltava a religiosidade e a cultura popular contida no enredo “Mariama – Mãe de todas as raças, de todas as cores. Mãe de todos os cantos da Terra”. A mão do carnavalesco encontrou a alma da Dom Bosco com um desfile que não foi apenas “bonito”. Foi respeitoso com a religiosidade que a escola carrega, transformando o pavilhão de Itaquera em um verdadeiro altar a céu aberto.
ENTENDA O ENREDO
O enredo de 2026 parte do poema de Dom Hélder Câmara, recitado durante a Missa dos Quilombos em Recife como ato de resistência e afirmação da fé negra durante a ditadura militar. Dom Hélder humaniza a Virgem Maria, chamando-a de “Mariama” (junção de Maria com “ama”, remetendo à ancestralidade africana), apresentando-a como Mãe dos oprimidos, dos escravizados e de todas as raças.
Na avenida, A Dom Bosco partiu da aparição de Nossa Senhora Aparecida, evoluindo para exaltar o matriarcado, a proteção espiritual e a fé negra presente na comunidade de Itaquera. Mariama tornou-se imagem viva, símbolo de resistência, dignidade e igualdade, mostrando que a história da fé afro-brasileira é também a fé brasileira e está em constante movimento.
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