Foto Capa: Dayse Pacífico
A Independente Tricolor foi a oitava e última escola a cruzar o Sambódromo do Anhembi na manhã desta segunda-feira (16), entregando um desfile de impacto sensorial e tecnicamente seguro. A dupla de carnavalescos Léo Cabral e Yuri Aguiar apresentou uma estética africana sofisticada, utilizando texturas orgânicas e contrastes de cores para narrar a “manhã do mundo”.
O enredo “N’Goma – A primeira festa na manhã do mundo” destacou o tambor como primeiro pulsar de vida, símbolo da comunicação entre homens e divindades nas tradições banto e iorubá. Chitão, com sua voz potente, conduziu a comunidade e manteve a energia mesmo no amanhecer. As alegorias e os figurinos detalhados transformaram o desfile em um verdadeiro ritual de origem, revelando cada nuance com a luz natural do dia. A Independente encerrou os desfiles excedendo o tempo do desfile, o que pode prejudicar a agremiação na apuração.
ENTENDA O ENREDO
Historicamente, o enredo investiga o Ngoma, o tambor sagrado das tradições africanas, considerado o elo entre homens e divindades. O enredo tratou o Ngoma não apenas como um instrumento musical, mas como uma tecnologia de comunicação divina. Na tradição Bantu, o som do tambor é a voz dos ancestrais que guia o ritmo da vida.
Amanhã, terça-feira, 17 de fevereiro, a leitura das notas dos grupos Especial e Acesso 1 marcará o momento de quem vai levantar a taça de campeã e voltar no desfile de sábado, dia 21. Antes da abertura dos envelopes, haverá reunião entre a Presidência da Liga SP e os Presidentes das Agremiações, com sorteio da ordem de leitura dos quesitos, que é determinante para a classificação final. O último quesito a ser lido será o critério de desempate caso duas ou mais escolas terminem com a mesma pontuação.
E mais uma vez o Carnaval de 2026 em São Paulo mostrou mais do que desfiles e cores: revelou a capacidade da arte de conectar passado, presente e futuro. Na avenida, o público acompanhou histórias de ancestralidade, resistência e espiritualidade; heróis anônimos e mulheres de força; rituais e manifestações culturais que transformam a memória coletiva em espetáculo. Cada desfile foi, ao mesmo tempo, festa e reflexão: da luta contra o racismo à celebração da religiosidade afro-brasileira; da valorização da cultura popular à reinvenção de tradições históricas; do cotidiano urbano à poesia da cidade.
O Carnaval é arte popular e mostrou a sua função social: educar pelo encanto, fortalecer a identidade e provocar consciência política e cultural. Onde o Brasil se reconhece em sua diversidade, com o samba como linguagem capaz de unir e emocionar.
Facebook comentário