Foto Capa: Dayse Pacífico
A Nenê de Vila Matilde foi a quinta escola a cruzar o Sambódromo do Anhembi na madrugada de segunda-feira (16), apresentando um desfile de pertencimento e identidade. A escola utilizou a figura mística de Exu para saudar a encruzilhada urbana, estabelecendo paralelo entre o senhor dos caminhos e o pulsar constante do cruzamento entre as avenidas Ipiranga e São João no centro da cidade.
O enredo “Encruzas – Nenê de Corpo e Alma no Coração de São Paulo” combinou a sofisticação da boemia clássica com a “dura poesia” concreta da cidade, destacando parcerias culturais históricas, como o Bar Brahma, transformado em símbolo de resistência. A Bateria de Bamba manteve cadência firme e constante, garantindo o “chão” para que a comunidade desfilasse com a energia de sempre. O canto desta comunidade reforçou a força da Águia Guerreira, consolidando a Nenê como candidata a uma das vagas para o Grupo Especial em 2027.
ENTENDA O ENREDO
O enredo fez uma leitura poética e social do centro de São Paulo, destacando a transformação da cidade em polo multicultural desde meados do século XX. A “encruza”, o ponto de encontro entre Ipiranga e São João, é geográfica e simbólica: um espaço onde o samba resistiu, a boemia floresceu e a memória da Zona Leste se fez presente.
A escola celebrou o quilombo urbano, mostrando que a força da comunidade, a tradição e a ancestralidade estão presentes em cada esquina. A Nenê reafirmou que o samba é bússola e identidade, conectando passado e presente, tradição e contemporaneidade, em uma narrativa que transforma a cidade em território de pertencimento.
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