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Pérola Negra 2026: Maria Bonita e a Força da Rainha Cangaceira

Pérola Negra consagrou Maria Bonita como Rainha do Terreiro

A Joia Rara combina tradição nordestina, elementos do cangaço e inovação tecnológica em desfile que celebra força, fé e ancestralidade.

por Josy Dinorah
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Foto Capa: Dayse Pacífico

A Pérola Negra apresentou uma plástica arrojada, assinada por André Machado, que soube equilibrar a crueza do sertão com o brilho da espiritualidade. O desfile não foi apenas uma biografia de Maria Déa; foi um “cortejo de fé“. A escola utilizou elementos do xaxado e do maracatu para dar ritmo a uma narrativa onde Maria Bonita “abala a gira” e “vence demanda”. O público respondeu com entusiasmo ao samba-enredo, que funcionou como um chamado constante para a arquibancada.

A Vila Madalena desceu o morro para mostrar que a força nordestina é um dos pilares da sua própria identidade. As alegorias trouxeram a estética do mandacaru mesclada a elementos tecnológicos, criando um visual que André Machado definiu como um “baião-afro”. A evolução foi constante, e o canto da comunidade mostrou que a Pérola está disposta a brigar pelas primeiras posições, apostando em um enredo que é, simultaneamente, histórico e místico.

ENTENDA O ENREDO

Historicamente, o enredo explora a figura de Maria Bonita (1911–1938), a primeira mulher a integrar um grupo de cangaço. Contudo, a Pérola Negra avança para a dimensão social e espiritual: ela é celebrada como a “Rainha Cangaceira” que, nas giras de Umbanda, torna-se uma entidade de proteção (a linha dos Baianos). O enredo combate o preconceito religioso ao apresentar a “gira de Maria” como um espaço de resistência feminina e nordestina, transformando a luta pela sobrevivência no sertão em uma metáfora para a vitória sobre as demandas espirituais do cotidiano.

A Pérola Negra em 2026 nos lembrou que a história oficial é apenas uma superfície. Ao vestir Maria Bonita com as contas do terreiro, a escola da Vila Madalena realizou uma reparação contemporânea: a mulher que foi perseguida pelo Estado e silenciada pela morte torna-se, na avenida, a voz que guia e protege. André Machado foi perspicaz ao entender que, no Brasil atual, a figura do cangaceiro não é apenas um personagem de museu, mas um arquétipo de quem “vence demanda” todos os dias.

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