Foto Capa: Dayse Pacífico
A Unidos de Vila Maria entrou na avenida com a autoridade de quem conhece o caminho para o título. O carnavalesco Vinícius Freitas, filho do renomado Jorge Freitas, entregou um desfile luxuoso com o enredo “Do chão que alimenta à culinária que encanta: Brasil, um banquete de sabores”.
A parceria com sua irmã, Taiana Freitas, na Comissão de Frente, garantiu uma abertura sinérgica, onde dança e plástica contavam a mesma história com harmonia familiar e coesão narrativa. Fiel às suas raízes, a escola apostou em componentes da casa, refletindo em um canto vigoroso e evolução consistente até os instantes finais.
O samba-enredo, interpretado com maestria por Clayton Reis, manteve a energia da escola e destacou a força da tradição familiar e comunitária no samba.
A escola cruzou o portão no limite do tempo do regulamento, próximo aos 60 minutos permitidos para o Acesso 1, segundo o regulamento da Liga-SP para 2026. O que provocou apreensão na arquibancada e entre seus próprios componentes na avenida.
ENTENDA O ENREDO
O enredo explorou a formação da identidade brasileira pelo viés da segurança alimentar e do sincretismo culinário. Da mandioca e do milho, como elementos espirituais dos indígenas, passando pelo dendê africano como tecnologia de resistência nos terreiros, até a influência europeia, a narrativa valorizou a diversidade cultural do país.
A Vila Maria apresentou a cozinha como espaço democrático do Brasil, onde a mistura de ingredientes simples transformou-se em patrimônio cultural, exaltando mãos pretas e indígenas que alimentaram a nação ao longo dos séculos.
A agremiação mostrou que o ingrediente secreto é a união familiar, o respeito à própria linhagem e o entendimento de que o samba só alcança seu sabor pleno quando feito em comunidade. Entre memória, arte e contemporaneidade, a escola provou que a brasilidade se saboreia melhor quando compartilhada e celebrada coletivamente.
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