Foto Capa: Jimmy Santos
A Unidos de São Lucas chegou ao Carnaval 2026 com um enredo que dialoga diretamente com a essência da cultura popular negra. A agremiação apresentou “Meu tambor é ancestral – Heranças e riquezas de um povo, um Brasil de festas pretas!”. O desfile compreendeu a celebração não como fuga da realidade, mas como uma estratégia histórica de sobrevivência.
Na madrugada deste domingo, a São Lucas transformou o Anhembi em um quilombo festivo. O tambor ganhou centralidade na avenida com a Batucada do Lucas, conduzida por Mestre Andrew Vinícius.
É importante lembrar que, em 2025, a bateria alcançou a nota máxima ao apostar nos toques de ijexá. No Carnaval 2026, essa cadência retornou como fundamento vivo, reafirmando o terreiro e a rua como espaços de musicalidade.
ENTENDA O ENREDO
Aqui, o tambor não ocupa o lugar de instrumento musical, mas de tecnologia de comunicação, organização e memória. Historicamente, as chamadas “festas pretas” — como Congadas, Maracatus e o próprio Samba — foram espaços onde a população negra preservou sua humanidade.
Mesmo sob a violência da escravidão, esses momentos de festividade permitiram a manutenção de vínculos comunitários e da espiritualidade. Portanto, ao afirmar que o Brasil é um “país de festas pretas”, a comunidade da Unidos de São Lucas sustenta que a nação plural foi forjada no som do couro.
Equilibrando o sagrado e o profano, a agremiação encerrou sua passagem no Carnaval 2026 reafirmando que a alegria, quando fundamentada na ancestralidade, é um ato político de resistência.
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