Foto Capa:
A Mocidade Unida da Mooca escreveu, na noite desta sexta-feira (13), um capítulo importante de sua trajetória. Abrindo oficialmente os desfiles do Grupo Especial de São Paulo no Sambódromo do Anhembi, a agremiação desfilou um projeto consistente, que apostou na permanência da dupla responsável pelo acesso em 2025: o carnavalesco Renan Ribeiro e a enredista Thayssa Menezes.
A escolha da diretoria em manter essa dupla de extrema criatividade e competência poética mostrou maturidade ao projetar a MUM sob a ótica da continuidade, fortalecendo a identidade de uma escola de samba que chegou para disputar o título.
Passando no limite do tempo, o desfile foi a confirmação do estilo de Renan Ribeiro em apresentar um visual atento aos detalhes e à coerência estética. Thayssa Menezes, pedagoga e pesquisadora, demonstrou segurança ao transformar fundamentos das culturas de matriz africana em uma narrativa compreensível tanto para a comunidade quanto para o público que acompanhou a escola nesta noite.
Entretanto, seria injusto restringir a análise apenas às alegorias ou fantasias. O desfile ganhou densidade na ocupação simbólica da avenida com a presença da filósofa e ativista Sueli Carneiro, da deputada Erika Hilton, da escritora Conceição Evaristo e outras personalidades que representam o protagonismo negro contemporâneo. A participação dessas lideranças transformou o desfile em um ato de pertencimento entre pensamento, comunidade e celebração.
ENTENDA O ENREDO
“Gèlèdés – Agbara Obinrin” partiu da tradição do povo iorubá para exaltar a força das mulheres negras. O ritual Gèlèdé celebra as Ìyámi, mães ancestrais associadas ao poder espiritual que garante o equilíbrio da vida coletiva.
É nessa perspectiva que o desfile dialoga com o Geledés – Instituto da Mulher Negra, organização fundada em 30 de abril de 1988 e referência nacional no enfrentamento ao racismo e ao sexismo. Entre as mulheres que simbolizam essa trajetória está Sueli Carneiro, filósofa, escritora e uma das vozes mais influentes do pensamento feminista negro no Brasil.
E a MUM chegou especial neste Carnaval ao apresentar um desfile com um debate maior: quem constrói a memória do país e quais vozes permanecem autorizadas a projetar o futuro. Ao trazer as Ìyámi para o centro da narrativa e conectá-las às mulheres que hoje pensam, escrevem e transformam o Brasil, a escola lembrou que tradição também é movimento.
Facebook comentário