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Camisa 12 2026: A Realeza de Ketu e a Herança Nagô no Anhembi

Camisa 12 abriu o Acesso 1 com ritual à realeza de Ketu

A escola apostou no luxo afro-ancestral e apresentou um desfile seguro para iniciar a disputa de domingo no Anhembi.

por Josy Dinorah
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Foto Capa: Dayse Pacífico

A Camisa 12 teve a responsabilidade de abrir os desfiles do Grupo de Acesso 1 na noite deste domingo (15). A posição de começar a noite de desfiles, não intimidou a agremiação, que levou ao Sambódromo do Anhembi um conjunto visual vibrante, marcado por tons quentes, brilho e forte presença da iconografia das chamadas Princesas Nagô.

O enredo “Princesas Nagô, Rainhas do Brasil — A Origem da Fé, Herança de Ketu” Com desenvolvimento do carnavalesco Delmo de Morais, a escola apresentou alegorias bem acabadas e uma leitura direta do continente africano à formação dos primeiros terreiros no Brasil. 

ENTENDA O ENREDO

A narrativa partiu da memória de figuras como Iyá Nasô, ligada ao Reino de Ketu e reconhecida como uma das responsáveis pela fundação do Ilê Axé Iyá Nasô Oká, a Casa Branca do Engenho Velho, marco da tradição Nagô-Ketu no país.

Mais do que personagens do passado, essas lideranças foram apresentadas como arquitetas de continuidade. O desfile defendeu a ideia de que o poder dessas mulheres não terminou na travessia atlântica; ele se reorganizou em redes religiosas, econômicas e afetivas que sustentam o candomblé até hoje.

Ao valorizar esse legado, a escola reposicionou as mães de santo contemporâneas como herdeiras diretas de uma nobreza que transformou memória em estrutura de sobrevivência.

Quando a avenida se torna território de coroação dessas mulheres, o Carnaval deixa de ser apenas espetáculo. Ele se torna afirmação de presença, permanência e futuro.

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