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A Dragões da Real cruzou a avenida na madrugada deste sábado (14) reafirmando o lugar que ocupa entre as forças mais competitivas do Carnaval paulistano em 2026. Com o enredo “Guerreiras Icamiabas – Uma Lendária História de Força e Resistência” , a agremiação foi além da lenda e apresentou uma reflexão direta sobre território, soberania e permanência.
Sob a condução do carnavalesco Jorge Freitas, a agremiação transformou a narrativa mítica em argumento contemporâneo. A floresta apareceu como espaço vivo e político, protegido por guardiãs que não recuam diante da exploração.
Ao revisitar a chegada do colonizador a partir da resistência indígena, a Dragões deslocou o eixo tradicional da história e sugeriu uma inversão de perspectiva: a terra tem donas, tem memória e reage. O resultado foi um desfile que combinou impacto visual com posicionamento, reforçando a capacidade da escola de transformar espetáculo em discurso.
ENTENDA O ENREDO
A narrativa partiu das Icamiabas, descritas em relatos históricos como mulheres que viviam às margens do Rio Nhamundá e organizavam sua sociedade a partir de leis próprias. Associadas à Lua, eram vistas como detentoras de profundo conhecimento sobre a natureza e habilidades de guerra.
Ao trazer essa mitologia para o Anhembi, a Dragões defendeu que essas figuras não pertencem apenas ao imaginário distante; elas funcionam como símbolos de continuidade das lutas dos povos originários. Ao final, a imagem que permaneceu foi simples e poderosa: enquanto houver quem vigie a floresta, haverá também quem conte outra versão da história.
Depois da ancestralidade feminina evocada pela Mocidade Unida da Mooca e da reparação proposta pela Colorado do Brás, chegou a Dragões da Real que mostra a mulher indígena como a guardiã definitiva do território. As três agremiações fazem um início de noite em que diferentes rostos do poder feminino tomaram o Anhembi.
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