Foto Capa: Jimmy Santos
A Imperador do Ipiranga foi a oitava agremiação a cruzar o Anhembi em 2026, transformando a passarela em um imenso terreiro de celebração à vida. Com o enredo “Bejiróó, Onipé Doum – Ibeji”, a tradicional escola da Vila Carioca mergulhou na filosofia africana para narrar como a pureza e a alegria são fundamentos da nossa sociedade. A narrativa visual foi conduzida pelo simbolismo do Baobá, a árvore da vida, mostrando que a ancestralidade se fortalece no riso das crianças.
O ponto central do desfile foi a exaltação da inteligência dos Ibejis, filhos de Xangô e Iansã, que através do toque do tambor e da oferta de doces, garantem o equilíbrio e a renovação do mundo. Essa “doçura como fundamento” foi traduzida em alas vibrantes, onde o Vunje das tradições de Angola e as festas de caruru brasileiras se fundiram em uma estética de resistência cultural. A presença de Doum, o terceiro elemento que completa a tríade com Cosme e Damião, reforçou o conceito de fraternidade e o acolhimento característicos da agremiação da Vila Carioca.
ENTENDA O ENREDO
No centro do enredo estão os Ibejis, divindades que representam os gêmeos e que ganharam múltiplas camadas de significado no Brasil. A cosmovisão iorubá compreende a alegria como um princípio de permanência. Portanto, os Ibejis representam a capacidade de reorganizar o mundo a partir do lúdico.
No Brasil, essa compreensão atravessou sua cultura e modos de vida, se reorganizando nas casas de santo, nos terreiros e nas festas populares. O enredo sustenta que a ancestralidade não se preserva apenas pela memória do passado, mas pela proteção simbólica das gerações que ainda estão por vir.
Ao encerrar sua passagem pelo Anhembi, a Imperador do Ipiranga reafirmou sua identidade como uma escola que compreende o samba como continuidade. O sorriso que atravessou a avenida não foi alegoria: foi fundamento.
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