Foto Capa: Jimmy Santos
Terceira escola a levantar o público presente no Anhembi, a Torcida Jovem provou que seu planejamento para 2026, iniciado imediatamente após o 6º lugar de 2025, foi importantíssimo. Com o enredo “Axé – Raízes e ritmos da cultura afro-baiana”, a agremiação do Jardim Aricanduva se rendeu ao ‘molho’ sobre os saberes e a luta do povo baiano.
O desfile confirmou o que já vinha sendo observado nos ensaios técnicos. A escola apresentou-se compacta, organizada e com uma evolução fluida. Além disso, a comunidade sustentou o canto de um samba que priorizou a resistência negra.
Versos como “Onde a força-Didá nem o tempo desfaz” serviram como referência direta aos blocos afro. Essa escolha narrativa combate as tentativas históricas de apagamento dos saberes ancestrais no espaço público.
ENTENDA O ENREDO
Do ponto de vista conceitual, o enredo da Torcida Jovem no Carnaval 2026 compreende que o “Axé” não se limita a um gênero musical. Derivado do iorubá àṣẹ, o termo designa a força vital e o poder de realização.
No campo sociológico, o Axé baiano emerge do processo de reafricanização da década de 1970. Movimentos como o Ilê Aiyê reposicionaram a população negra como sujeito ativo da política e da cultura. Portanto, ao levar esse tema para o Sambódromo, a escola reafirma que a Bahia é um território fundamental de preservação da memória da diáspora.
Equilibrando o preto e branco tradicional da escola com os tons vibrantes da Bahia, a Torcida Jovem encerrou seu desfile com maturidade e entre as principais candidatas ao título, reafirmando que Axé, no Carnaval, é menos sobre espetáculo e mais sobre permanência, força e memória.
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