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Peruche, pandeiro e poesia desfila 70 anos de uma escola que respira o samba

Sexta escola a desfilar no Carnaval de 2026, a Unidos do Peruche celebra 70 anos transformando o Anhembi em um grande terreiro narrativo, onde a memória do samba fala em primeira pessoa.

por Josy Dinorah
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Foto Capa: Jimmy Santos

A sexta escola a cruzar o Anhembi em 2026 não veio apenas celebrar seu aniversário. A Unidos do Peruche abriu caminhos. Com o enredo “Oi esse Peruche lindo e trigueiro, terra de samba e pandeiro”, a Filial do Samba transformou a avenida em um grande terreiro urbano, onde memória, corpo e ritmo se encontram para afirmar: o samba de São Paulo tem raiz, tem linhagem e tem escola.

A narrativa visual escolheu o pandeiro como símbolo. Um instrumento que exige precisão, escuta e domínio do tempo, ele conduziu o público por uma linha histórica que partiu das origens da agremiação, atravessou os títulos e personagens fundadores e chegou ao atual processo de renovação da escola. Assim como nos romances de Machado de Assis, em que objetos e memórias assumem a função de narradores discretos, o pandeiro da Peruche organizou a história sem protagonismo excessivo, mas com autoridade de um sambista.

ENTENDA O ENREDO

O enredo da Unidos do Peruche em 2026 é um exercício de memória institucional. Ao celebrar seus 70 anos, a escola optou por narrar a própria história a partir de símbolos do cotidiano do samba, como o pandeiro, o bairro, a oralidade e a poesia popular. Historicamente, a Peruche se consolidou como a “Filial do Samba” por seu papel formador: foi ali que gerações aprenderam a cantar, tocar, compor e desfilar, estruturando uma verdadeira escola de cultura negra urbana.

A Unidos do Peruche encerrou seu desfile lembrando ao Anhembi que algumas escolas não apenas desfilam: ensinam. E enquanto houver pandeiro batendo no compasso certo, a Filial seguirá formando, transmitindo e preservando o samba como patrimônio vivo do nosso carnaval.

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