Foto Capa: Dayse Pacifico
O Vai-Vai chegou ao Sambódromo do Anhembi lembrando que protagonismo não se herda, se reafirma. Maior vencedora da história da cidade, a escola do Bixiga transformou a memória do cinema brasileiro em lente para enxergar algo maior: quem construiu o desenvolvimento paulista.
Com o enredo “A Saga Vencedora de um Povo Heroico no Apogeu da Vedete da Pauliceia”, a Escola do povo partiu do sonho industrial e artístico da Companhia Cinematográfica Vera Cruz para chegar às mãos que ergueram fábricas, organizaram greves e moldaram a identidade trabalhadora do Grande ABC.
A assinatura coletiva da comissão de carnaval: Gleuson Pinnheiro, Marcus Tibechrani, Gerson Anveris e Tatiana Gregório, apostou numa narrativa em que o brilho da tela nunca apagou a presença do operário. Pelo contrário: revelou que o verdadeiro elenco principal sempre esteve fora dos estúdios. E nem mesmo o desafio técnico da iluminação, provocado pelo atraso que fez a Escola do Povo cruzar a avenida sob a claridade da manhã, ofuscou o espetáculo; a luz natural do dia serviu para evidenciar o brilho real da força do Vai Vai.
Sob o comando do intérprete Luiz Felipe e o ritmo da bateria Pegada de Macaco, sob o comando dos Mestres Tadeu e Beto, a Saracura conduziu um desfile em que arte e chão de fábrica caminharam lado a lado. O público rapidamente entendeu a mensagem: não há glamour sem trabalhador.
ENTENDA O ENREDO
A narrativa construída pelo Vai-Vai utiliza o cinema como porta de entrada para falar de mobilidade social, industrialização e identidade de classe. Fundada em 1949, a Companhia Cinematográfica Vera Cruz representou o desejo de inserir o Brasil no circuito internacional do audiovisual, investindo em estrutura, tecnologia e formação de artistas.
Ao aproximar o passado do presente, a escola também dialoga com a retomada recente do prestígio do cinema nacional, lembrando que o Brasil segue produzindo narrativas capazes de atravessar fronteiras.
O que o Vai-Vai defende é simples e poderoso: a verdadeira estrela nunca esteve apenas na tela. Ela sempre esteve no povo.
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