As “Andanças de Beth Carvalho” chega ao céu!

O tempo passa. Chega a passagem da vida para um outro plano traçado por Deus. É vida que segue na terra e a memória daqueles que tanto fizeram pela cultura do samba atravessa vale da saudade. Dizem que a morte faz parte da vida! Porém, hoje a morte calou uma das maiores vozes do samba e da MPB, Beth Carvalho, a eterna “Madrinha” que cumpriu sua missão de vida e agora canta Andanças lá pelos lados do céu.

Prestes a completar 73 anos de idade e de comemorar os 91 anos da sua escola de coração, Mangueira, Beth Carvalho, uma das maiores expoentes do samba, partiu para enriquecer ainda mais o “cantinho do andar de cima dos sambistas de bambas”! Por aqui ela deixa um imenso legado ao samba e a cultura.

Conhecida como “Madrinha do Samba” por sua presença assídua na quadra do Cacique de Ramos, onde Beth identificava talentos no samba e os revelava, como aconteceu com nomes como Fundo de Quintal, Zeca Pagodinho, Almir Guineto, Sombra, Sombrinha, Arlindo Cruz, Jorge Aragão, entre tantos outros.

Gravou o primeiro compacto em 1965, com a canção ‘Por Quem Morreu de Amor’, de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli. Nos anos seguintes, seguiu a trilha dos festivais. Seu primeiro sucesso foi Andança, de Edmundo Souto, Paulinho Tapajós e Danilo Caymmi, que ela defendeu no Festival Internacional da Canção, em 1968, e com o qual conseguiu o 3.º lugar. A música também deu título ao seu primeiro LP, que foi lançado em 1969. Emendou outros sucessos na sua voz, como o hino ‘Vou Festejar’, e eternizou ‘Coisinha do Pai’ na terra, na lua e nas estrelas.

Na década de 1970, foi ao morro da Mangueira e ao encontro dos grandes mestres mangueirenses., Gravou ‘Folhas Secas’, com Nelson Cavaquinho, e ‘As Rosas Não Falam’, de Cartola. Dois momentos sublimes em sua carreira e de sua paixão pela Estação Primeira de Mangueira, de onde nunca mais saiu. Mangueirense de coração, foi homenageada por outras escolas de samba: foi tema de enredo da Escola de Samba Unidos do Cabuçú, ‘Beth Carvalho, a enamorada do samba’, em 1984, e recebeu da Velha Guarda da Portela uma placa comemorativa por ela ter sido a cantora que mais gravou seus compositores.

Beth Carvalho estava internada desde o dia 8 de janeiro, no Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo, no Rio, onde recebeu amigos para uma animada roda de samba. Ela tinha mais de 50 anos de carreira e uma discografia de 33 discos e 4 DVDs – e muitos prêmios, homenagens e troféus conquistados ao longo de toda uma vida dedicada ao samba.

Valdir Sena – Jornalista, radialista, pesquisador e cronista de Carnaval.

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