Camila Prins, do Camisa Verde e Branco fala sobre representatividade

Tabu em diversas instituições do País, a identidade de gênero tem gerado embates nas mídias e nas ruas. No Carnaval traz uma Rainha da Bateria, Camila Prins, para romper as barreiras do preconceito e dá maior visibilidade ao mundo da transexualidade no mundo do samba. 

Dentre as demonstrações públicas de respeito e maior aceitação de si, a identidade de gênero ainda é o centro de inúmeras crendices e mitos no Brasil do Século 21. A bandeira da diversidade flâmula entre as maiores instituições da sociedade em busca de aceitação e maior equidade de direitos. E mesmo o Carnaval apresentando um ritual de inversão quando falamos de fantasias e brincadeiras, só em 2018 que o desfile de Escola de Samba de São Paulo apresentou sua primeira rainha de bateria transexual. 

Ser rainha trans não é só motivo de vaidade, mas de representatividade. Vivemos, ainda, num mundo muito cruel em questão do preconceito. Ao ficar de frente com a bateria vejo milhares de meninas trans. Elas e eu temos o sonho de sermos reconhecidas. Por isso, faço questão de defender o meu Pavilhão e a bandeira contra a Homofobia. E sei que a cada dia vamos mudar esta história e conquistar com respeito o nosso lugar. – diz Camila Prins, que nascida em Porto Ferreira trouxe o encanto dos bailes de Carnaval do interior para a Capital. 

Atualmente casada e realizada na vida profissional, Camila foi acolhida pela Camisa Verde e Branco como Rainha de Bateria e com este título abre o caminho para outras transexuais que buscam o apoio das comunidades do samba para demonstrarem sua dedicação e amor ao Carnaval.

Camila ainda afirma que no início os comentários contrários e os olhares de reprovação ilustraram o quanto o assunto é delicado mesmo dentro de um ambiente tão plural como as Escolas de Samba. Temas como a paridade entre o feminino e o masculino com a condição transexual coincide com um engajamento político e social que ainda é muito imaturo e violento na cultura do povo brasileiro.  

De acordo com a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) ocorreram em 2018, 163 assassinatos de pessoas Trans, sendo 158 Travestis e Mulheres Transexuais, 4 Homens Trans e 1 pessoa Não-Binária e desses casos 96% foram arquivados. Ou seja, somente 4% resultaram em denúncias à Justiça. (Fonte: Estratégia Nacional de Justiça e Segurança Pública – Enasp) .

Camila tem todo o respaldo da Camisa Verde e Branco por cumprir com ética e respeito seu papel de Rainha e ao ganhar notoriedade dentro do Carnaval é um indicativo que barreiras culturais podem ser quebradas. Conquistar este papel tão importante na Escola faz a comunidade transexual sair fortalecida do campo de batalha contra o preconceito.

Ela deixa o recado que devemos lutar por direitos, respeito as escolhas e que não podemos ficar calados nos casos abusos ou diante dos discursos de ódio “Todas nossas decisões devem ser tomadas depois de muita reflexão sobre o assunto. Viver com o coração amargurado e algo que deve trazer muita dor, por isso, eu segui minha vida da maneira que eu achava correto e paguei um preço que me trouxe o valor da felicidade. Então, meu conselho é que sejam felizes da maneira que se sentirem bem, a vida e única!” – finaliza.

Facebook comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

dezoito + quinze =