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25 DE JULHO: Um marco para a luta e resistência da mulher negra

por Josy Dinorah
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Criada e reconhecida pela ONU em 1992, o Dia da Mulher Negra Latina e Caribenha foi redefinido no Brasil, em 2014, como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra para marcar a luta contra o racismo, o feminicídio e o machismo tão presente na sociedade.

Tereza de Benguela foi rainha, política, guerreira e podemos dizer que foi uma das primeiras ativistas do Brasil. Ela chefiou o Quilombo de Quariterê, no Mato Grosso. Abrigando negros e indígenas, Tereza foi responsável pela organização social, política e de ações contra a escravatura e os maus tratos de mais de 100 pessoas. E assim, como outros tantos quilombos não sobreviveu aos inúmeros ataques da Coroa. Ao ser presa, a Rainha Tereza, cometeu o suicídio como símbolo de sua resistência e recusa a situação de escrava.

O samba e o carnaval estão ligados com as origens africanas e quilombolas de nossa história, e o povo negro representa mais da metade da população do País. Uma história de lutas, resistência e muito racismo para conquistar espaço, voz e respeito. Quando se trata de ser mulher e negra, a situação e as condições para ter o seu lugar é ainda mais intensificada e repleta de desafios pessoais, culturais e sociais.

Diversos eventos foram organizados durante o mês de julho. Mas a data não é só comemoração ou celebração. As ações realizadas, como o ‘Festival Latinidades’ que acontece no Centro Cultural São Paulo entre os dias 23 e 27 de julho e as programações nas Fábricas de Cultura do Jardim São Luís e Diadema buscam o diálogo, o debate e fortalecer a cultura, a arte e as vozes independentes voltadas à mulher negra, sua identidade e cobrança de maiores iniciativas do poder público para combater e diminuir crimes de racismo e contra à mulher em diversas vertentes. Falando de Carnaval, em São Paulo, o tema será abordado pela Escola de Samba Barroca Zona Sul.

Mesmo com o Carnaval exaltando o poder do feminino nas suas composições e enredos, a presença e o destaque da mulher nas Escolas de Samba ainda se restringe, em sua grande maioria, em funções de “adereçamento” ou de forma adjacente e operacionais para execução do que é proposto antes, durante ou após o desfile.

Hoje, é um dia de grande reflexão, e em 2019 é preciso reforçar o dialogo, o espaço e o respeito pela figura da mulher, em especial a mulher negra. Descendentes de escravos e muitas nascidas em solo brasileiro, muitas mulheres construíram uma história de luta, resistência e marcadas pela violência são negligenciadas pela livros, pelos documentos, pelas fotos e pela memória do povo, até mesmo dentro da comunidade onde vivem. Muito em consequência dos efeitos do pós-abolição.

Estas mulheres de todo o Brasil, até os dias atuais lutam pela sua auto afirmação em vários campos de atuação. Claro que hoje, as redes sociais não permite mais que se calem estas vozes que chegam e ecoam dores acumuladas, vontade de crescimento e mostram que há muita cultura, conhecimento e talento escondidos por aí.

Quantas Dandaras, Marias, Ivones, Clementinas, Elzas, Jovelinas, Zezés, Ruths e Carolinas, outros nomes, outras mulheres, outras história que você não conhece são proibidas, discriminadas, ridicularizadas, mortas e feridas todos os dias próximo a você? Quantas mulheres puxadoras de samba-enredo você pode conferir na televisão no dia do desfile? Quantas mulheres coroadas como mestre de bateria você já teve notícias? Quantas compositoras ? Quantas carnavalescas assinaram o enredo do Carnaval? São questionamentos necessários neste dia e nos permite olhar com mais atenção a situação da mulher, principalmente, se ela for negra e que não devem ser deixados de lado no resto do ano.

O Site Sintonia de Bambas clama por mais presença e abordagens das mulheres de todas as raças e parabeniza cada mulher negra ao redor do mundo e reforça seu trabalho de resgate de nossa cultura.

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