Foto Capa: Dayse Pacífico
O cenário para 2026 em São Paulo está marcado por uma forte presença de enredos sobre religiosidade, numa mescla entre a matriz africana e o espiritismo. Mas também teremos um forte levante das lutas sociais, com temas que vão da reforma agrária à resistência feminina, sob a nuance de biografias de grandes poetas.
O grande destaque e olhos, estão voltados para o que podemos citar como o “Grupo da Morte”. O grupo de Acesso 1, que desfila no dia 15/02 está fortíssimo em 2026, com escolas tradicionais buscando o retorno à elite. Contando com a transmissão televisiva que será feita pela Band, o que aumenta a visibilidade dos sambas e desta grande disputa.
A Acadêmicos do Tatuapé exalta a agricultura familiar e o MST, enquanto o Vai-Vai mantém sua linha de resistência ao cantar a história de São Bernardo do Campo e da Cia. Cinematográfica Vera Cruz. Do outro lado, o lirismo se faz prece: a Estrela do Terceiro Milênio homenageia o poeta Paulo César Pinheiro e a Tom Maior enfrenta o desafio de transformar a caridade de Chico Xavier em carnaval. A raiz ancestral também pede passagem com a Barroca Zona Sul celebrando Oxum, e a Mocidade Unida da Mooca (MUM) e o Império de Casa Verde exaltando a força das mulheres negras.

Foto: Gaby Dias
Mais uma vez a nossa festa ganha contraste social, a consultoria Mar Asset Management estima que os evangélicos alcançarão 35,8% da população até o final de 2026. Ou seja, a religião deixou de ser apenas ‘pauta de costumes’ para se tornar um bloco político e econômico. O dilema de 2026 será o equilíbrio entre a laicidade e o cálculo eleitoral em um ano que promete discussões nas redes sociais, ruas cheias e movimentos sociais cobrando promessas.
Recentemente a polarização ganhou um novo elemento. No Rio de Janeiro, a polêmica do Palco Gospel no Réveillon, criticada por lideranças como o Babalawô Ivanir dos Santos, escancarou feridas. O termo ‘preconceito dessa gente’, usado pelo prefeito Eduardo Paes, foi lido por jornalistas como Flávia Oliveira como racismo religioso, gerando inquéritos no MPF. Se no Rio o conflito é aberto e ruidoso, em São Paulo a dinâmica é estratégica: enquanto Paes tenta ‘evangelizar’ o Réveillon, as lideranças paulistas tentam ‘politizar’ o altar para blindar governos.
Mas vamos nos concentrar na avenida, onde a fé ainda é o combustível. A Tom Maior (SP) e a Estácio de Sá (RJ), por exemplo, trazem figuras espirituais e religiosas como temas centrais. Teremos o “silêncio respeitoso” da escola paulistana e a gira com o corpo e percussão no Rio, ao falar da figura de Tata Tancredo, o “Omulu do Samba”, o homem que unificou o samba com a umbanda no Rio.
O Carnaval de 2026 não será apenas festa: será o lugar onde o lirismo está na mão da psicografia e a mão que planta a semente da justiça. Haverá poesia no suor do agricultor que vira alegoria e o toque do sagrado no mistério das grandes mães, lembrando que o samba é a referencias de todas as resistências.





