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A Cor Negra da Verde e Rosa da Mangueira

por Luis Mendes
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Capa: Nelson Gariba/Sintonia de Bambas

Com a cadência de seus incomparáveis surdos, a Mangueira dá à sociedade o tom! É o mesmo tom da pele do Cartola, Dona Zica e dos habitantes dos morros e periférias do país inteiro. O tom negro! Ela vem descendo o morro indignada, com o seu Jesus Cristo negro metralalhado na cruz pelas balas perdidas. Um Jesus que desde seu nascimento testemunhado por ladrões, putas e traficantes, é perseguido pela guarda pretoriana do Estado. Um Estado que trás a sua lança do destino guardado para os pobres! A lança que perfura e mata! A Mangueira horroriza a sociedade pois tira entre as poeiras guardadas sob o tapete, a hipocrisia escondida a quase quatrocentos anos. A Mangueira resiste enquanto a sociedade se conforma e insiste que somos iguais! A Mangueira samba enquanto a sociedade, em ordem unida, desfila e a cultura agoniza. Na sua cadência, negros, mulheres e índios embarcam no trem da história que os aguardam na Estação Primeira de Mangueira! Onde já embarcaram Oxalá, Ogum, Zumbi, Tom Jobim, Maria Bethânia, Chico Buarque e tantos outros que resistem ou resistiram à sociedade cada vez mais preconceituosa e racista. A Mangueira da diversidade mais uma vez faz brotar, entre os escombros de uma terra plana, a esperança de que o samba e a cultura, agoniza mais não morre, como dizia Nelson Sargento. E a Estação Primeira de Mangueira mais uma vez faz valer aquela máxima, de que enquanto os cachorros ladram, a caravana passa! Dessa vez quem passa é a Mangueira sambando sobre a hipocrisia da sociedade. Saravá Estação Primeira de Mangueira! Amém Jesus Cristo negro que ainda está no calvário em todas as periferias e morros desse país.

Luis Mendes é autor do livro Conversa de Encruzilhada disponível através do link https://desconcertoseditora.com.br/produto/conversa-de-encruzilhada-luis-mendes/ Instagram luismendes5230

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